Bateria X7 e peles Evans

Set-up testado

Peles EVANS modelos EQ1B, EQ3 (Bumbo), G1 Coated, Hazy 300, G1 Power Center Reverse Dot, Genera Reso 300 (Caixas), G1 Clear, Reso OEM/PDP, G2 Coated (Toms); bateria PDP by DW modelo X7 (All Maple Shells); Pedal Duplo PDP modelo DP602C e Ferragens PDP Hardware Pack 8155.

Introdução

Começo falando da minha bateria. É um kit Pacific X7 com todos os tambores em Madeira Maple. Esta é uma madeira que tem como característica a propagação de frequências médias por ter sua solidez entre 46 lb/f³ (rock maple) e 39 lb/f³ (silver maple). Vale ressaltar que os primeiros lotes desta bateria eram feitos em madeira Poplar, que se assemelha mais à sonoridade do Birch.

Bumbo

Na medida de 22”x18” e com peles EVANS EQ1B e EQ3 como resposta, tive excelentes resultados sonoros e técnicos com o auxílio do EQ Patch (adesivo de nylon na pele do bumbo) e EQ Pad (que usei para substituir o travesseiro que vem originalmente na bateria). O que pude perceber foi um som encorpado, com uma vasta amplitude de frequências que começam em 60Hz (grave) até os agudos que caracterizam o “kick”.

Uma dica para os técnicos de som e de estúdio: há uma frequência de médio/grave – exatamente em 125Hz, que surgiu tanto em estúdio quanto ao vivo e deve ser cortada no equalizador, pois pode gerar uma microfonia. O sustain é controlado e confortável, tanto nas performances ao vivo quanto para gravação, pois os graves são projetados de maneira uniforme. Quando não usei os EQ Patches, houve uma incidência maior de agudos, que deram mais ataque ao bumbo e foram ideais para notas rápidas com pedal duplo. Achei que a combinação entre o EQ Patch e o EQ Pad trouxeram o som que eu buscava.

Os aros do bumbo, também em madeira, são muito bem construídos, têm acabamento rico e acompanham os detalhes do laqueamento “Gold Sparkle Fade to Black”. O bumbo possui oito afinações e a superioridade de acabamento que caracteriza as baterias DW ficou evidente também no acabamento em borracha macia das garras que prendem o aro e a outra parte, em borracha mais sólida, no encaixe do pedal.

Caixa

No meu setup, costumo usar duas caixas de 14”. Aqui vou descrever apenas a caixa PDP original da bateria, com 14”x5” e oito afinações. Nas duas combinações de peles que usei, a caixa se mostrou tremendamente versátil e sua sonoridade não deixou nada a desejar quando comparei com outras que possuem aros “Die Cast” e “Power Hoop”. Em todas as afinações utilizadas a sensibilidade da caixa e o controle de harmônicos foi total.

A maior diferença no timbre da caixa, que a torna ainda mais atraente para utilização em todos os estilos, percebi quando usei combinações diferentes de peles. Usando peles EVANS G1 Coated (OEM) e resposta Hazy 300, a caixa falou mais grave, atingiu uma leve projeção de harmônicos médios quando usei afinações mais altas e teve excelente sensibilidade para as “ghost notes”.

Já usando uma pele G1 Power Center Reverse Dot e uma Genera Reso 300 (Orchestral) como resposta, obtive o melhor resultado. Ocorreu uma projeção maior de massa sonora com controle total de harmônicos e aumento de sensibilidade para as “ghost notes”. Com uma afinação ainda mais aguda, a caixa não deixou nada a desejar para as “Piccolo”, mesmo tendo 5” de profundidade.

O acabamento da caixa segue o mesmo padrão do restante dos tambores da bateria, sendo ainda mais realçado pelo sistema de regulagem e controle de esteira. Este sistema tem ação de alavanca vertical e regulagem fina, que é o mesmo encontrado em outros modelos de caixa da DW.

Toms

O que mais me chamou a atenção foi o controle de volume de todos esses tambores, tanto com peles de filme simples quanto duplo. Os faders (controle de volume da mesa de som) ficam exatamente no mesmo nível, o que traduz uma projeção equilibrada de som entre todas as peças do kit.

Os toms de 8”, 10” e 12” apresentaram um ataque definido e sustain equilibrado quando usei a combinação G1 Clear com as respostas Reso (OEM) que vieram com a bateria. Os dois surdos de 14” e 16” apresentaram um excelente ataque, mas um sustain maior, o que em muitos casos pode causar realimentação de frequências de médio/grave. Fiz esta experiência em várias afinações e então decidi trocar todo o set-up para peles com filme duplo, usando as G1 clear como resposta.

Então, com todos os tambores com peles G2 Coated e G1 Clear como resposta, encontrei uma sonoridade mais uniforme que me surpreendeu positivamente! Os toms de 8”, 10” e 12” continuaram “cantando” bem, mas com um sustain mais controlado. Em várias afinações utilizadas, senti que esta pele “conversou” melhor com a madeira da bateria. O mesmo aconteceu com os dois surdos que, devido ao filme duplo, deixaram de vibrar com frequências externas como se já houvesse uma ação do Gate na própria pele. Tanto nas performances ao vivo quanto em sessões de gravação, alternando as respostas entre a Reso (OEM) original da bateria e a G1 Clear, os resultados obtidos foram excelentes em todos os tambores!

Ferragens

Em vez de começar falando do hardware que acompanha originalmente a bateria, vou dar destaque ao sistema de suspensão STM (Suspension Tom Mounts), dos toms de 8”, 10” e 12”. Além do design esteticamente muito atraente, feito em forma elíptica e com anéis isolantes de borracha, são funcionais ao extremo e auxiliam significativamente na ressonância dos tambores. Isso fez com que meu conceito sobre a PDP X7 se elevasse ainda mais. Nada melhor do que ser surpreendido de maneira positiva!

O Holder central ainda vem com uma outra agradável surpresa que é um furo para encaixe de um clamp ou outra estante para ampliar ainda mais o set-up. No meu caso foi extremamente útil pela quantidade de splashes que tenho.

O hardware que acompanha a bateria é um kit 8155 da Pacific com uma estante reta e outra girafa, ambas com apenas um estágio de regulagem, o que não a torna menos funcional ou possa ser considerado como um demérito diante de outras estantes. Além das duas estantes que vieram originalmente no kit, adquiri mais quatro estantes adicionais da mesma série. Os pés duplos e robustos possibilitam boa abertura para garantir maior estabilidade, mesmo porque em meu set-up uso algumas estantes como suporte para holder do tom de 8” e clamps para splashes e hi-hat lateral.

A estante de caixa possui memória no ajuste de altura e ângulo (o que facilita muito a montagem), além de um sistema totalmente confiável de fixação da caixa que não deixou nada a desejar. A máquina de hi-hat possui regulagem de ação da mola (que define o peso na sapata e a volta do prato), mas não possui pés giratórios (neste caso, a única coisa negativa em um equipamento tão cheio de recursos e detalhes). Possui memória de altura e tanto a presilha do prato “top” quanto a base do prato “bottom” possibilitam um ajuste perfeito e regulagem precisa.

Pedal

Outro item que adquiri à parte foi o excelente pedal duplo DP602, cujo batedor tem duas superfícies (feltro e plástico). Por se tratar de um pedal com duas molas, sua ação é mais precisa e – para aqueles que, como eu, usam os patches na pele do bumbo – obtive melhor sonoridade usando o feltro, que deixou o som do bumbo mais encorpado. O pedal se assemelha tanto no funcionamento mecânico quanto no acabamento estético ao DW 5000 accelerator, com exceção da base vermelha que caracteriza o DW.

Considerações Finais

Com excelente definição sonora, acabamento de padrão superior e ferragens totalmente funcionais, a PDP X7 é a bateria que melhor se adequa a todas as minhas necessidades. Tanto no quesito sonoridade quanto na parte estética, todos os meus trabalhos em estúdio e palco ganharam muito ao somar a durabilidade e a inigualável superioridade técnica das peles EVANS e da bateria PDP by DW.

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setembro 8, 2009 Testes de produtos