D’Addario Pro Arté Composites EJ46C

Quando falamos em cordas para instrumentos musicais, especialmente para guitarras, baixos e violões, uma das primeiras marcas que nos vem à cabeça é a norte-americana D’Addario. Seguindo na contramão da dita gestão administrativa “moderna”, na qual executivos contratados que não possuem identificação alguma com a trajetória da empresa ficam responsáveis pela sua direção, a centenária fabricante de cordas segue firme sob o comando da família D’Addario.

Sua grande arma para permanecer há tanto tempo como umas das lideres mundiais em seu nicho de negócios é oferecer produtos de qualidade por preços competitivos. Os encordoamentos de nylon para violão clássico da série Pro Arté Composites são um bom exemplo disso.

O modelo testado nesta edição foi o EJ46C. É um jogo de tensão alta (hard tension) com a particularidade de acompanhar duas opções de terceira corda (Sol), sendo a primeira produzida de nylon cristal, mesmo material das demais primas, e a segunda revestida na cor café. Suas dimensões são as seguintes: 0.0285 (1.E), 0.0327 (2.B), 0.0410 (3.G de nylon), 0.037 (3.G revestida de carbono), 0.029 (4.D), 0.036 (5.A) e 0.046 (6.E).

Além do EJ46C, a série Pro Arté Composites compreende os seguintes modelos: EJ44C (extra hard tension), EJ44LP (extra hard tension, com bordões polidos que reduzem o ruído do atrito dos dedos com as cordas), EJ45C (normal tension), EJ45LP (normal tension com bordões polidos), EJ46LP (hard tension com bordões polidos). O violão usado no teste foi um sete-cordas Araújo, luthier que possui oficina na capital paulista.

A sonoridade do EJ46C agradou bastante, com harmônicos encorpados e bem definidos. Seus bordões possuem bastante peso e brilho. Devido ao seu timbre agressivo, funcionam bem para violonistas populares fazerem acompanhamentos harmônicos e baixarias em choros e sambas, mas nem por isso deixam a desejar na execução de abordagens contrapontísticas em peças eruditas.

O único ponto negativo é que essa “agressividade” dos bordões pode causar um ofuscamento das cordas mais agudas, como a Mi e a Si, exigindo um esforço maior do músico para extrair delas timbres e coloridos sonoros. No entanto, após o período de amaciamento, os bordões perderam um pouco do peso original, equilibrando melhor as freqüências do conjunto.

As duas opções de cordas Sol permitem timbragens diferentes da região média do violão. A terceira corda revestida possui brilho, volume e tensão superiores aos da terceira corda de nylon, caindo muito bem para gravações com microfone, pela sua projeção mais pronunciada e por equilibrar melhor o som entre as primas de nylon e os bordões.

Por outro lado, a terceira de nylon possui timbre mais aveludado e pouco volume, não contrastando tanto em relação às demais cordas, algo que já é esperado desse material, além de ser mais macia de tocar, devido à sua tensão menor.

Falando em tocabilidade, o encordoamento é um pouco áspero, tanto nos bordões como nas primas, mas sem apresentar ruídos exagerados. Vale lembrar que a série Pro Arté Composites oferece a opção deste encordoamento com os bordões polidos, o modelo EJ46LP, para aqueles que possam sentir-se incomodados.

De qualquer forma, o jogo não apresentou dificuldades na execução de ligados ou fraseados rápidos de mão esquerda, respondendo igualmente bem às variações de dinâmicas e dedilhados de mão direita.

A D’Addario anuncia a durabilidade como umas das vantagens da série. É importante ressaltar que isso é relativo, pois depende muito da maneira como as cordas são conservadas, se o músico transpira demais pelas mãos, entre outros fatores.

Seguindo o hábito de se passar uma flanela nas cordas após o uso, o EJ46C manteve praticamente todas as suas características timbrísticas originais durante o período de testes, perdendo apenas um pouco do brilho intenso próprio dos encordoamentos novos. Outro ponto que merece destaque é sua estabilidade tonal, pois segurou bem afinação tanto nas regiões graves quanto nas mais agudas da escala.

O EJ46C pode ser usado em qualquer estilo musical, da MPB ao erudito, do jazz e choro. É indicado tanto para estudantes como para profissionais, principalmente para aqueles que usam o violão intensamente, por exemplo em shows ou para dar aulas. Isso porque possui uma relação custo-benefício atraente ao consumidor, oferecendo qualidade sonora e chegando às lojas por cerca da metade do preço de encordoamentos top de outras marcas.

Texto: Carlos Shirata
Colaboração: Fábio Carrilho
Teste realizado pela revista Cover Guitarra edição de número 168.

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janeiro 7, 2009 Testes de produtos