Pacific X-7

Recebi um kit Pacific X-7 com a seguinte configuração de sete peças: toms 8”x7”, 10”x8”, 12”x9”, floor toms (surdos) 14”x12” e 16”x14”, bumbo 22”x18” e caixa 14”x5”. O acabamento do kit foi o atraente Silver-To-Black Sparkle Fade. Um pacote de ferragens inclui pedal de bumbo, máquina de hi-hat, estante de caixa, estantes de prato (uma girafa e uma reta) e um suporte de tom para ser fixado a uma dessas estantes.

Os tambores possuem os cascos construídos em sua totalidade com a madeira poplar. Por isso, vou começar o teste falando um pouco sobre as características gerais dessa madeira. De acordo com o The Complete Manual Of Woodworking, de Albert Jackson, David Day e Simon Jennings, o rock maple possui uma solidez de 46 lb/ft3, enquanto o silver maple tem por volta de 39 lb/ft3.

O birch possui cerca de 42 lb/ft3 e o poplar possui até 31 lb/ft3. Quanto mais alto o valor, maior a solidez da madeira. Observamos então que o poplar possui uma solidez menor que as madeiras mais conhecidas e preferidas por diversos bateristas. Em termos gerais, o poplar possui características mais parecidas com o birch do que com o maple, sem muita presença de freqüências médias. Com isso em mente, vamos começar a análise de sonoridade do kit.

Tom toms controlados

O som dos tom toms, com as peles de filme duplo que acompanharam o kit, foi bastante controlado em termos de projeção e tonalidade. Os toms de 8”, 10” e 12” apresentaram um ataque definido, mas sem muito sustain.

No entanto, foi muito fácil chegar num equilíbrio entre os três. Os floor toms, levando também em consideração seus tamanhos, soaram um pouco mais potentes e “cantaram” um pouco mais. O de 16” especificamente entregou mais volume quando requerido. Então cheguei à conclusão de que uma pele de filme simples poderia extrair mais som desses tambores, e optei por utilizar um jogo de peles coated(revestida) de filme simples em todos eles.

Então tudo mudou. Os toms de 8”, 10” e 12” ofereceram um som mais “cheio”, com um sustain maior. Pelas características da madeira, não houve a menor necessidade de abafamento para chegar a um som equilibrado e definido. Para exemplificar, toquei frases rápidas entre eles e as notas soaram bastante definidas e não “embolaram”. Os floor toms apresentaram o mesmo resultado.

Mesmo com essas peles, não houve muita incidência de harmônicos médios. Com isso em vista, já posso passar minha primeira recomendação: para extrair todo o potencial desses tambores, prefira peles de filmes simples.

Bumbo com ataque

O bumbo possui um ataque definido, mas não há projeção de harmônicos médios e graves. Embora o kit acompanhasse uma almofada de abafamento, após tocar um pouco utilizando-a, achei que isso controlou muito o som do tambor, fazendo-o soar um pouco “morto”.

Por isso retirei a almofada e toquei o bumbo sem nenhum abafamento. O resultado foi que o ataque se destacou, mas sem muito sustain. É um som que pode ser interessante para gravar, pois ele oferece definição e precisão. Para quem toca notas rápidas com um pedal duplo, o bumbo oferece definição. No entanto, para quem quer um “oomph” ou um sustain maior, esse tipo de madeira não é o mais recomendado.

A caixa

Este tambor ofereceu boas opções em termos de sonoridade. Utilizei diversas afinações, e não vi necessidade de usar abafamento em nenhuma delas. Com uma afinação mais alta, ela entrega um “crack” definido, e as notas fantasmas apresentaram boa resposta de esteira. Resumindo, isso indica que ela funciona bem em diversos níveis de dinâmica.

Essa configuração de afinação mais alta foi onde o tambor apresentou o melhor resultado em termos de equilíbrio. O rimshot soou cortante, mas ainda um pouco equilibrado. Apenas para ilustrar, fiz uma condução alternando notas nos toms e floor toms, tocando rimshots na caixa nos tempos 2 e 4.

Ele soou definido, sobressaindo-se bastante em relação aos toques nos demais tambores, o que era o objetivo inicial. Podemos dizer que é uma caixa com sonoridade bastante adequada para tocar estilos como pop rock e afins.

Ferragens simples e objetivas

O kit acompanha estante de caixa, máquina de hi-hat, pedal simples de bumbo, uma estante reta e uma estante girafa de prato. As ferragens são simples, robustas e funcionais, com pernas de reforço duplo com uma ampla abertura, o que garante estabilidade. A máquina de hi-hat ofereceu uma ação suave e me deu um bom controle nas aberturas. Os toques realizados com os pés obtiveram o resultado que eu desejava, em termos sonoros, sem que eu fizesse muito esforço. O pedal de bumbo (da série 400 da Pacific) também é simples e funcional, com sistema de tração por corrente simples.

O batedor possui duas superfícies (feltro e plástico duro). Pelas características do bumbo, obtive melhor resultado sonoro utilizando a face de plástico duro do batedor. Aproveito este tópico para falar também do sistema de suporte de toms, o STM (Suspension Tom Mounts).

Ele fixa-se diretamente às canoas dos cascos (através de buracos revestidos por anéis de borracha na borda que se encaixam nas canoas de formato elíptico), o que auxilia na ressonância do tambor. Esse sistema é bastante interessante em termos de sonoridade, mas pode oferecer uma leve complicação na hora de trocar as peles batedeiras.

Quando fui realizar a troca, tive um pouco de dificuldade na hora de colocar o sistema no lugar e fixar o aro e os parafusos em seus devidos lugares.

Visão geral

O kit Pacific X-7 é encontrado em sete peças, com belas opções de acabamentos laqueados sparkle e revestidos. As ferragens que acompanham os tambores são robustas e funcionais. A madeira utilizada para a confecção dos cascos oferece um som mais controlado, porém equilibrado.

Peles de filmes simples oferecem um resultado sonoro melhor nos toms e floor toms. O bumbo possui ataque, mas carece de sustain e peso. A caixa é um tambor mais versátil, com som ainda controlado, mas com uma boa versatilidade. Pode ser um kit que oferece um resultado interessante no estúdio, pois após afiná-lo, ele já fica com um som “pronto”.

É uma boa opção de kit completo, que pode ser encontrado no mercado a uma faixa razoável de preço.

A MD agradece a Fernando Lauletta e ao estúdio Flap por ceder o espaço para a realização do teste. www.flapweb.com.br

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fevereiro 18, 2009 Testes de produtos