Uma noite com o “Ministro do Groove”

Noite fria de domingo e lá estávamos no maravilhoso Auditório do Ibirapuera para a segunda e última noite da Edição 2009 do Festival Batuka. O cronograma do dia contava com apresentações de diversos estilos, o que deixou tudo mais interessante.

A apresentação iniciou-se com Clayton Cameron, conhecido como “Mestre das Vassorinhas”, que realmente mostrou o porquê do título. Em uma apresentação impecável, esbanjou técnica e conhecimento, além de histórias interessantes e divertidas.

Na sequência, Edgar Silva, artista brasileiro homenageado na Índia como um grande músico de Tabla Indiana, mostrou para o público a linguagem deste instrumento.

Em seguida, a Mestre de Cerimônias da noite e idealizadora do Batuka, a baterista endorsee Evans, Vera Figueiredo, intitulada “The Queen of Samba”, subiu ao palco acompanhada dos músicos Chico Willcox (baixo), Beto Corrêa (teclados/piano) e Fábio Gouvêa (guitarra/flauta). O grupo deu um show de Soul à Brasileira e Vera mostrou as razões pelas quais é considerada uma das melhores bateristas da atualidade. Lindos temas de “Vera Cruz Island”, presentes no DVD lançado em parceria com o também baterista Daniel Oliveira, foram executados com perfeição. Este é, sem dúvida, um DVD indispensável para quem é fã de música brasileira tocada com alma e técnica.

Após um intervalo, vimos uma apresentação muito criativa e sincronizada do grupo Tribores, que mostrou uma mescla eficiente e divertida de técnicas de Percussão Marcial Escocesa, ritmos e tambores Brasileiros.

Em seguida, durante a apresentação do baterista Clayton Cameron, percebemos na plateia a presença de Rafael Dolinski, um amigo em comum, que participou conosco da análise das peles Evans usadas pelo baterista Dennis Chambers há alguns meses em visita ao Brasil. Pouco antes do início da apresentação de Zoro, convidamos Rafael para sentar-se conosco. Juntos observamos, sob três diferentes ângulos, a performance deste excelente baterista.

O momento do gran finale, que consolidou de vez o sucesso do evento e fechou a noite com chave de ouro foi a chegada da atração mais aguardada da noite, o baterista norte-americano endorsee Evans, Zoro. “Sou grato pelo dom que recebi e, através do som que vou tocar aqui esta noite, vou poder expressar o que tenho dentro do meu coração. Espero que toque no coração de vocês”, disse.

Assim começou o show de encerramento da 11° edição do Batuka Brasil. Dentre tantas palavras para descrever o que foi visto, acho que aquelas que melhor definem a performance de Zoro, the Drummer são: Paixão e Carisma. O que presenciamos foi quase uma experiência espiritual (ou será que foi mesmo?).

A cada música tocada, podíamos perceber diferentes reações da plateia. Alguns se emocionaram com as palavras de Zoro sobre a relação da música como uma linguagem da alma. Muitos se inspiraram com o prazer e a aparente facilidade com que Zoro conduzia cada groove. E outros prestaram atenção em detalhes técnicos e aplicação de rudimentos, comentando detalhes sobre o equipamento que Zoro estava usando.

O comentário unânime na plateia logo após o início da apresentação resume-se à frase: “O som do bumbo está perfeito, quero um desse pra mim!”. Zoro conseguiu obter uma sonoridade excepcional dos tambores com a combinação das peles Evans EC2 Clear e G1 Clear. A sonoridade do “bumbo perfeito” contou, além das peles Evans EMAD Clear na batedeira e EQ3 na resposta, com os EQ Pads e abafadores EMAD.

Além da sonoridade das peles, bom gosto na afinação e excelência técnica demonstrada em cada detalhe, uma outra coisa que nos chamou a atenção foi a escolha das músicas. Fizeram parte do set-list as canções “In The Stone”, da banda Earth, Wind & Fire e “Rosanna”, do Toto, que merecem destaque especial pela interpretação impecável de Zoro. Ao mesmo tempo que mostrou a firmeza de seu groove, Zoro não deixou de lado a fidelidade ao formato do arranjo original.

Outro detalhe que merece destaque foi a pulsação rítmica de Zoro que, mesmo tocando com um play-along e sem nenhum click como referência, mostrou ser esta sua principal característica, que o fez ser reconhecido como o “Ministro do Groove”.

Como não poderia deixar de ser, após o encerramento do Batuka fomos para o nosso “momento de fã”, que incluiu uma sessão de fotos com Zoro e um bate-papo descontraído e cativante com o baterista. Zoro falou mais uma vez com paixão e propriedade sobre a maneira como vê a música agindo como uma forma de comunicação entre as pessoas e Deus. Ainda refletiu sobre a responsabilidade e o privilégio do artista de poder ser esse “canal” por onde a informação chega.

Em todos os aspectos, foi uma noite memorável!

Em breve, vídeos exclusivos gravados com Zoro.

* Crédito da foto: Susan Souza

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julho 23, 2009 Artistas